O Brasil deu um passo importante na COP17. E o Cerrado precisa estar bem posicionado nessa agenda
26 ago 2026
Metas apresentadas pelo Brasil na COP17 incluem recuperação, conservação e prevenção da degradação, com impactos diretos sobre o futuro do Cerrado e de suas águas

Brasil apresenta meta para Neutralidade da Degradação da Terra durante COP 17, na Mongólia. Foto: Acervo Rede Cerrado

Aqui em Ulaanbaatar, na Mongólia, o Governo Brasileiro apresentou suas Metas Voluntárias de Neutralidade da Degradação da Terra, as LDNs.

São 17 submetas que envolvem recuperação e restauração de áreas degradadas, conservação, manejo sustentável e prevenção de novos processos de degradação.

É um compromisso importante do Brasil — especialmente em um momento em que os efeitos da degradação da terra e da crise climática já estão chegando aos territórios.

E o Cerrado é um dos lugares onde esse alerta precisa ser ouvido.

O próprio Governo Brasileiro reconheceu, durante o anúncio, o avanço de condições de semiaridez sobre áreas do bioma e chamou atenção para projeções de redução das vazões em importantes regiões hidrográficas que atravessam o Cerrado.

Por isso, falar de degradação da terra no Cerrado é também falar de água.

É falar das nascentes, dos rios, da produção de alimentos, da biodiversidade e dos modos de vida de povos e comunidades que dependem diretamente desses territórios.

Mas o Cerrado também tem muito a oferecer nessa agenda.

Agroecologia, sistemas agroflorestais, extrativismo sustentável, manejo comunitário, proteção das águas e recuperação de áreas degradadas são práticas que já fazem parte da realidade de muitas organizações e comunidades do bioma.

O desafio agora é conectar esses conhecimentos e experiências às políticas públicas, aos instrumentos de implementação e aos recursos que poderão transformar as metas anunciadas em resultados concretos.

A Secretária Executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira, está em Ulaanbaatar acompanhando as discussões da COP17 e dialogando com representantes do Governo Federal sobre como aproximar esses novos compromissos dos territórios e das organizações que já atuam no Cerrado.

“Para nós, a pergunta agora é: como fazemos essas ações chegarem aos territórios? Como conectamos essas metas às experiências que já existem no Cerrado e fazemos com que elas também se transformem em oportunidades, recursos e fortalecimento para os povos e comunidades? Temos organizações fazendo agroecologia, restauração, extrativismo sustentável, cuidando das águas e protegendo territórios. Queremos construir essa ponte entre o que está sendo pactuado aqui e o que já acontece lá na ponta”, afirma Ingrid.

Porque neutralizar a degradação da terra é fundamental recuperar hectares, mas também é sobre cuidar do solo, proteger as águas e fortalecer quem cuida desses territórios todos os dias.

Nesta COP17, a Rede Cerrado está aqui para contribuir para que esse importante compromisso assumido pelo Brasil se transforme também em oportunidades para manter o Cerrado vivo e suas águas vivas.