Aqui em Ulaanbaatar, na Mongólia, o Governo Brasileiro apresentou suas Metas Voluntárias de Neutralidade da Degradação da Terra, as LDNs.
São 17 submetas que envolvem recuperação e restauração de áreas degradadas, conservação, manejo sustentável e prevenção de novos processos de degradação.
É um compromisso importante do Brasil — especialmente em um momento em que os efeitos da degradação da terra e da crise climática já estão chegando aos territórios.
E o Cerrado é um dos lugares onde esse alerta precisa ser ouvido.
O próprio Governo Brasileiro reconheceu, durante o anúncio, o avanço de condições de semiaridez sobre áreas do bioma e chamou atenção para projeções de redução das vazões em importantes regiões hidrográficas que atravessam o Cerrado.
Por isso, falar de degradação da terra no Cerrado é também falar de água.
É falar das nascentes, dos rios, da produção de alimentos, da biodiversidade e dos modos de vida de povos e comunidades que dependem diretamente desses territórios.
Mas o Cerrado também tem muito a oferecer nessa agenda.
Agroecologia, sistemas agroflorestais, extrativismo sustentável, manejo comunitário, proteção das águas e recuperação de áreas degradadas são práticas que já fazem parte da realidade de muitas organizações e comunidades do bioma.
O desafio agora é conectar esses conhecimentos e experiências às políticas públicas, aos instrumentos de implementação e aos recursos que poderão transformar as metas anunciadas em resultados concretos.
A Secretária Executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira, está em Ulaanbaatar acompanhando as discussões da COP17 e dialogando com representantes do Governo Federal sobre como aproximar esses novos compromissos dos territórios e das organizações que já atuam no Cerrado.
“Para nós, a pergunta agora é: como fazemos essas ações chegarem aos territórios? Como conectamos essas metas às experiências que já existem no Cerrado e fazemos com que elas também se transformem em oportunidades, recursos e fortalecimento para os povos e comunidades? Temos organizações fazendo agroecologia, restauração, extrativismo sustentável, cuidando das águas e protegendo territórios. Queremos construir essa ponte entre o que está sendo pactuado aqui e o que já acontece lá na ponta”, afirma Ingrid.
Porque neutralizar a degradação da terra é fundamental recuperar hectares, mas também é sobre cuidar do solo, proteger as águas e fortalecer quem cuida desses territórios todos os dias.
Nesta COP17, a Rede Cerrado está aqui para contribuir para que esse importante compromisso assumido pelo Brasil se transforme também em oportunidades para manter o Cerrado vivo e suas águas vivas.




