No Dia do Cerrado, campanha #VotePeloCerrado convoca eleitores a colocar o futuro do bioma no debate das eleições de 2026
11 set 2026
Iniciativa apresenta Carta-Compromisso com oito propostas para proteção das águas, dos territórios, da biodiversidade e dos direitos dos povos do Cerrado

Equipes das organizações Funatura, ISPN e Rede Cerrado que atuam pela proteção do bioma. Foto: Camila Araujo/Rede Cerrado

Se o Cerrado pudesse votar, o que ele escolheria? Água e biodiversidade protegidas. Territórios preservados. Agricultura familiar fortalecida. Sociobiodiversidade valorizada. Direitos garantidos aos povos e comunidades que vivem e cuidam desse território.
A provocação marca o lançamento, nesta sexta-feira (11), Dia Nacional do Cerrado, da campanha #VotePeloCerrado, uma mobilização da sociedade civil que busca levar o futuro do bioma e de seus povos para o centro do debate das eleições de 2026. A iniciativa apresenta uma Carta-Compromisso com o Cerrado e seus Povos, dirigida a candidatas e candidatos aos Poderes Executivo e Legislativo, nos âmbitos federal e estadual, com oito propostas para orientar programas de governo e atuação parlamentar.

Ativismo digital

A campanha convida eleitores a conhecerem os compromissos e as candidaturas que assumem o compromisso em defender os temas que definem o futuro do bioma no site próprio votepelocerrado.org.br. A decisão nas urnas se transforma em cobrança pública: quem assume a responsabilidade de proteger as águas, os territórios e a biodiversidade do Cerrado. A própria Carta estabelece que candidatas e candidatos que a assinarem deverão se comprometer com um diálogo permanente com os povos do Cerrado, suas organizações, movimentos sociais e a sociedade civil, incorporando as propostas ao programa de governo e/ou à atuação parlamentar, com transparência e prestação de contas.

A campanha é digital e a hashtag #VotePeloCerrado vai guiar as publicações no Instagram nos perfis de 6 organizações @ispn_brasil, @rede.cerrado, @institutocerrados, @funatura, @cptnacional, @campanhacerrado,, e conta com a adesão de influenciadores digitais que colocam sua voz para falar do Cerrado.

Emergência climática

A conservação do Cerrado é uma das maiores potências para o enfrentamento das crises climáticas, hídrica e energética do país. No entanto, estudos mostram que mais da metade da vegetação nativa do Cerrado já foi destruída e os rios enfrentam 27% de redução na vazão.

O cenário coloca em jogo muito mais do que a conservação de um bioma. A destruição do Cerrado afeta a economia do Brasil pois o Cerrado é estratégico para o provimento de água, alimento, para a regulação do clima e manutenção da saúde . Por isso, a Carta-Compromisso afirma que a proteção do bioma é também uma questão de direitos humanos.

“O Cerrado é um bioma estratégico para o Brasil. Além de ser o coração das águas, 42% da produção agrícola nacional está aqui. No entanto, o ritmo da conversão do Cerrado em monocultivos está muito acelerado e ameaça a viabilidade da própria produção agrícola. Precisamos eleger parlamentares que compreendam essa importância e não tenham uma visão imediatista que pode comprometer o nosso futuro”, ressalta a coordenadora do Programa Cerrado do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Isabel Figueiredo.

Um bioma estratégico para o Brasil

O Cerrado é considerado o coração das águas do Brasil. Suas nascentes alimentam algumas das principais regiões hidrográficas do país, entre elas a do Amazonas, Araguaia/Tocantins, São Francisco e Paraná/Paraguai. O bioma também abriga os aquíferos Urucuia, Bambuí e Guarani.

Além da importância hídrica e ambiental, o Cerrado é território de povos e comunidades tradicionais que historicamente protegem seus bens naturais e desenvolvem formas próprias de viver e produzir. Sua biodiversidade também sustenta cadeias econômicas associadas à sociobiodiversidade, com produtos como pequi, buriti, cagaita, mangaba, flores-sempre-vivas, baru e babaçu.

“Para os povos do Cerrado, a economia não se separa de território, cultura e conservação. É da floresta e do campo conservados que vêm o pequi, o baru, o babaçu, o buriti, o artesanato, os alimentos e tantas atividades que geram renda sem destruir o bioma. As eleições precisam colocar no centro políticas que fortaleçam a agricultura familiar, a agroecologia e a sociobiodiversidade, garantindo território, assistência técnica, crédito e acesso a mercados, ressalta a secretária executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira.

A preservação do bioma é fundamental para garantir as condições necessárias à própria produção agropecuária. Para o diretor executivo do Instituto Cerrado, Yuri Salmona, “O Cerrado é um insumo. Não há agricultura responsável sem preservar o bioma: o desmatamento compromete a previsibilidade climática, a disponibilidade de água e os habitats de polinizadores fundamentais para diversos cultivos”.

A campanha Cerrado, Coração das Águas, a Rede Cerrado, que reúne mais de 500 organizações por meio de suas associadas, e a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que articula mais de 60 entidades, estão entre as articulações que dão origem à mobilização. Juntas, reúnem organizações de povos indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais, agricultores e agricultoras familiares, movimentos socioambientais e organizações de conservação da natureza.
Conheça a Carta-Compromisso e as oito propostas: votepelocerrado.org.br