“Deixem os A’uwẽ-Xavante Continuarem Sonhando”: organizações lançam campanha em defesa de territórios indígenas
15 jul 2026
Mobilização reúne organizações indígenas e aliadas para denunciar os impactos da FICO e defender o direito do povo A’uwẽ-Xavante à consulta livre, prévia e informada

Povo A’uwẽ-Xavante reivindica a proteção territorial no estado do Mato Grosso contra grandes empreendimentos que fragmentam comunidades indígenas. Foto: Camila Araujo/Rede Cerrado

Uma ferrovia pode destruir os sonhos e o futuro de um povo inteiro?

Essa é a realidade enfrentada pelo povo A’uwẽ-Xavante no Cerrado brasileiro, na bacia amazônica.

Para o povo A’uwẽ-Xavante, sonhar é uma experiência espiritual. É por meio dos sonhos que os A’uwẽ se conectam com seus ancestrais, que vivem em outra dimensão. Sonhar é algo inerente e inseparável da vida A’uwẽ.

Por meio dos sonhos, os conhecimentos ancestrais continuam orientando a vida do povo A’uwẽ-Xavante. Dos ancestrais, os A’uwẽ recebem cantos, nomes e até mesmo filhos. Sonhar é manter viva a relação entre gerações, mundos e modos de existir.

Mas o mundo A’uwẽ-Xavante está sob ameaça.

Megaprojetos de infraestrutura, como a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), estão fragmentando o Ró, o território tradicional do povo A’uwẽ-Xavante.

O Ró não é apenas um espaço físico. Ele é o corpo material e espiritual do mundo A’uwẽ-Xavante. É o Ró que oferece as condições que tornam possível o dom de sonhar e, consequentemente, sustentam a vida, a cultura e a relação com os ancestrais.

A fragmentação do Ró ameaça não apenas sua integridade territorial, mas também sua integridade cultural e espiritual. Ela coloca em risco os sonhos que sustentam a existência A’uwẽ e compromete o futuro das gerações que estão por vir.

Ao permitir o avanço de megaprojetos sem a realização da Consulta Livre, Prévia e Informada, o Estado brasileiro deixa de proteger os direitos do povo A’uwẽ-Xavante.

Em resposta a essa falha do Estado em garantir os direitos dos povos indígenas, o povo A’uwẽ-Xavante está em Genebra, ao lado da Cultural Survival e de organizações parceiras, para exigir o respeito aos seus direitos.

No dia 15 de julho de 2026, durante um evento paralelo oficial da 19ª sessão do Mecanismo de Especialistas das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, foi lançado o documento de incidência política “Deixem os A’uwẽ-Xavante Continuarem Sonhando”.

A campanha reúne a Associação Xavante Warã, a Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado (MOPIC), a Rede Cerrado e a Cultural Survival. A iniciativa combina incidência internacional, estratégias jurídicas e uma campanha global de solidariedade para amplificar as reivindicações do povo A’uwẽ-Xavante pela proteção de seus direitos, territórios e sua autodeterminação.

Defender o Ró é defender muito mais do que um território. É proteger uma forma de existir, um sistema de conhecimentos ancestrais e o direito de um povo de manter viva sua relação com seus antepassados e com as futuras gerações.

Os A’uwẽ-Xavante têm o direito de continuar sonhando.

Como apoiar?

• Assine a petição.

• Baixe e leia o documento de incidência política.

• Compartilhe esta campanha e ajude esta mensagem a atravessar fronteiras.

Deixem os A’uwẽ-Xavante continuarem sonhando.