Você lembra quanto pagava no óleo de cozinha, no arroz e no feijão em 2022?
Durante o governo Bolsonaro, entre 2019 e 2022, os preços dos alimentos e das bebidas subiram 46,25%. Uma compra que custava R$ 100 passou a custar R$ 146,25. No mesmo período, o rendimento médio real dos trabalhadores praticamente não avançou.
No terceiro mandato de Lula, a alta acumulada foi de 16,88% até setembro de 2026. Os mesmos R$ 100 em compras passaram a custar R$ 116,88.
É verdade: queremos mais. Precisamos de comida acessível e melhores condições de vida. Mas será que o caminho é voltar aos retrocessos que marcaram o país?
E o que o preço da comida tem a ver com a proteção do Cerrado?
A produção de alimentos depende da água e do clima. Secas e temperaturas extremas podem prejudicar as safras e elevar os custos. Quando o Cerrado é devastado, suas nascentes e rios ficam ameaçados, e a crise climática se agrava.
Proteger o bioma é cuidar das condições que tornam possível produzir comida.
Precisamos de uma agricultura diversificada, que abasteça a população com alimentos como arroz, feijão e mandioca, sem reduzir o Cerrado a monoculturas e pastagens. Pequi, babaçu e outros produtos da sociobiodiversidade geram renda e sustentam comunidades. Sem a vegetação em pé, essa riqueza desaparece.
Proteger o Cerrado também significa garantir os direitos de quem vive nele.
Durante o governo Bolsonaro, o reconhecimento e a regularização de territórios quilombolas atingiram níveis historicamente baixos. Em 2020, foram emitidas apenas 29 certificações de comunidades quilombolas, uma queda de 58% em relação ao ano anterior. Naquele ano, apenas um território foi titulado.
Com os povos indígenas, nenhuma terra foi homologada durante os quatro anos do governo. Invasões, garimpo ilegal e conflitos ameaçaram comunidades, enquanto a crise humanitária Yanomami expôs a gravidade das violações.
Povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais protegem a biodiversidade e preservam conhecimentos essenciais. Quando seus territórios e direitos são ameaçados, a conservação do Cerrado também fica em risco.
E essa disputa continua nas eleições.
Flávio Bolsonaro apresentou propostas que podem enfraquecer a proteção ambiental e os direitos territoriais, incluindo medidas de flexibilização do licenciamento ambiental e mudanças na atuação de órgãos como Ibama, ICMBio e Funai.
O enfraquecimento dessas políticas pode ampliar a destruição dos biomas e os conflitos nos territórios.
Precisamos avançar no combate à fome, na proteção do Cerrado, nas demarcações indígenas, nas titulações quilombolas e nas políticas que garantem comida saudável e acessível.
Queremos mais do governo Lula, sim. Cobrar avanços é necessário. Mas isso não significa ignorar os riscos de retrocesso.
Precisamos barrar a barbárie: a destruição dos nossos biomas, os ataques aos territórios tradicionais e o enfraquecimento das políticas públicas que protegem a vida.
A Rede Cerrado é fruto da democracia e defende um futuro com direitos, comida na mesa e dignidade para quem vive nos territórios.
Por um futuro com Cerrado em pé, água, comida e dignidade. Vote pelo Cerrado!




