O desmatamento no Cerrado caiu 23,8% entre agosto de 2025 e julho de 2026, na comparação com os 12 meses anteriores, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo governo federal, com base no monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram desmatados 5.516 km² no período, ante 7.235 km² no ciclo anterior. Bioma mais rapidamente desmatado do Brasil, o Cerrado registrou a menor taxa da série histórica, com redução de 48,4% nos últimos quatro anos.
A Amazônia também registrou um recorde histórico, com 3.335 km² desmatados, o menor valor desde o início das medições por satélite, em 1988. O número representa uma queda de 41,81% em relação ao período anterior, quando foram registrados 5.731 km², e de 71,2% nos últimos quatro anos.
Em nota, o Observatório do Clima (OC) destacou que os números trazem três recados: zerar o desmatamento é possível, mas exige vontade política; e o controle da destruição das florestas é uma boa notícia não apenas para o meio ambiente, mas também para o clima.
Os dados completos podem ser acessados neste link.
A articulação, da qual a Rede Cerrado faz parte, ressaltou ainda que o atual governo assumiu a política ambiental e climática após quatro anos de uma política “antiambiental deliberada”. Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022), a taxa de desmatamento aumentou 60% em relação ao período anterior.
Nos quatro anos do atual governo Lula, a Amazônia perdeu 24.648 km² de vegetação, área 46% menor do que os 45.586 km² desmatados durante o governo Bolsonaro. Embora o desmatamento zero ainda esteja distante, a redução representa um avanço importante nessa direção.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, classificou a queda do desmatamento como “um sonho para ambientalistas” como ele, em declaração à Agência Brasil.
“Quantas vezes não ouvimos essa frase de que é impossível obter o desmatamento zero? Estamos trazendo resultados concretos para os biomas Amazônia e Cerrado”, afirmou.
Segundo o ministro, a redução gradativa do desmatamento, ano a ano, pode ser explicada por três “pilares essenciais” para a implementação de políticas de combate à destruição das florestas.
O primeiro é a ciência, com respeito a dados e estudos. O segundo é a democracia, com a participação da sociedade nos debates por meio de conselhos estaduais e municipais. O terceiro é o pacto federativo, que pressupõe a adesão de prefeitos e governadores às ações de combate ao desmatamento, independentemente de filiação partidária ou alinhamento político com o governo federal.
Para o Observatório do Clima, a queda é resultado de uma determinação política clara e sustentada de proteção ambiental, traduzida em um conjunto de políticas públicas de combate aos crimes ambientais, estruturado sob a liderança de Marina Silva.
“Ações do Ibama, como os embargos coletivos de áreas desmatadas e os remotos por satélite, bem como a ampliação de instrumentos de financiamento, como o Fundo Amazônia, foram fundamentais para os resultados”, destacou a organização.
O controle do desmatamento evitou a emissão de ao menos 2,238 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera. A preservação das florestas também tem implicações econômicas, inclusive para o agronegócio, cujo Produto Interno Bruto (PIB) está estimado em R$ 3,13 trilhões para 2026, alta de 17,67% em relação a 2022, último ano do governo Bolsonaro.



