As Eleições 2026 também são espaço de disputa em torno do futuro do Cerrado e dos povos e comunidades que vivem em seus territórios. Em um cenário de avanço do desmatamento, pressão sobre as águas, conflitos territoriais e agravamento da crise climática, diferentes organizações e articulações da sociedade civil estão mobilizando candidaturas para assumir compromissos com a proteção dos biomas, a garantia de direitos e a construção de políticas públicas socioambientais.
A Rede Cerrado participa ou apoia essas iniciativas, que apresentam cartas, propostas e compromissos para candidatas e candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo: Vote Pelo Cerrado, Sociobio nas Urnas, Vote Pelo Clima, Agroecologia nas Eleições, Voto pela Convivência com o Semiárido e Contra a Violência no Campo.
Embora tenham focos e estratégias diferentes, as campanhas convergem em temas que atravessam a realidade do Cerrado: proteção da biodiversidade e das águas, enfrentamento das mudanças climáticas, defesa dos territórios e dos direitos dos povos e comunidades tradicionais, fortalecimento da agricultura familiar e da sociobiodiversidade e combate às diferentes formas de violência e degradação ambiental.
Para a Rede Cerrado, a agenda eleitoral é também uma oportunidade de ampliar a presença dessas pautas no debate público e de aproximar candidaturas das demandas construídas por organizações, movimentos, povos e comunidades em diferentes territórios do país.
A seguir, conheça seis campanhas que estão mobilizando candidaturas e apresentando propostas para as Eleições 2026.
Vote Pelo Cerrado
Pelo segundo pleito geral consecutivo, a Rede Cerrado, ao lado da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, da Funatura, do ISPN e do Instituto Cerrados, promove a campanha Vote Pelo Cerrado. A iniciativa busca levar a defesa do bioma e de seus povos para o centro do debate eleitoral e mobilizar candidaturas a assumir compromissos públicos com essa agenda.
A campanha chama atenção para a perda de vegetação nativa e para os impactos desse processo sobre as águas, o clima e os povos e comunidades tradicionais que vivem no Cerrado. O próprio site da mobilização destaca que mais de 50% da vegetação original do bioma já foi destruída e apresenta a proteção das águas e dos territórios tradicionais como parte dos compromissos propostos às candidaturas.

A agenda também se relaciona a compromissos nacionais de enfrentamento às mudanças climáticas e ao desmatamento. O Brasil estabeleceu como meta alcançar o desmatamento ilegal zero até 2030. A estratégia federal de prevenção e controle do desmatamento incorporou esse objetivo, enquanto a atual NDC brasileira prevê reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 53% até 2030, em relação aos níveis de 2005.
A Carta-Compromisso com o Cerrado e seus Povos reúne oito compromissos: reconhecer o Cerrado como patrimônio nacional; proteger as águas como direito fundamental; garantir terra, território e autodeterminação dos povos; combater a grilagem e a violência no campo; enfrentar os impactos de grandes empreendimentos e garantir a Consulta Livre, Prévia e Informada; promover a agroecologia e fortalecer a agricultura familiar; valorizar a sociobiodiversidade e a soberania alimentar; e garantir saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida.
A campanha não declara apoio a candidaturas específicas, mas dá visibilidade às pessoas candidatas que aderem à carta-compromisso.
Conheça a campanha aqui.
Sociobio nas Urnas
Cerca de 40 organizações ligadas à sociobioeconomia lançaram, em agosto, a campanha Sociobio nas Urnas, coordenada pelo Observatório das Economias da Sociobiodiversidade (ÓSocioBio). A iniciativa reúne demandas de povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares em uma carta com 46 propostas de políticas públicas, organizadas em oito eixos temáticos.

Com o lema “Deixa a sociobio crescer”, a campanha propõe que candidatas e candidatos assumam compromissos públicos para ampliar o acesso da economia da sociobiodiversidade a crédito, infraestrutura, políticas de fomento e regras sanitárias.
Os organizadores apontam uma assimetria na distribuição de recursos públicos. Segundo dados apresentados pela campanha, entre 2013 e 2025, 91,6% do crédito rural foi destinado a médios e grandes produtores, enquanto 8,4% chegou à agricultura familiar. No Pronaf, entre 2020 e 2024, foram destinados R$ 151,7 bilhões à produção de commodities e R$ 3,26 bilhões à sociobioeconomia — uma diferença de 46,5 vezes.
O lançamento contou com o apoio dos chefs Rodrigo Oliveira, Bel Coelho, Neide Rigo e Adriana Salay, que assinam o manifesto da campanha.
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Vote Pelo Clima
Idealizada pela organização Clima de Política, a campanha Vote Pelo Clima apresenta uma agenda de compromissos relacionados ao enfrentamento das mudanças climáticas. A plataforma reúne 20 temas, entre eles água e saneamento, agricultura e alimentação, cultura, gênero e raça, energia renovável, moradia e habitação, proteção dos animais, saúde e mobilidade.
Criada nas eleições de 2020, a iniciativa chega às Eleições 2026 com candidaturas de diferentes estados. Segundo a plataforma, mais de 250 candidaturas estão inscritas e validadas até o momento.
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Agroecologia nas Eleições
Realizada pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) desde 2020, a campanha Agroecologia nas Eleições busca inserir a agroecologia no debate eleitoral e estimular o compromisso de candidaturas com políticas públicas relacionadas à soberania alimentar, à agricultura familiar, à proteção dos territórios e ao enfrentamento da emergência climática.
A iniciativa apresenta a Carta Política para as Eleições 2026 – Por um Brasil soberano e agroecológico, construída pela rede da ANA. O documento reúne 47 propostas organizadas em 12 eixos e pode ser incorporado aos programas e compromissos das candidaturas.
Entre os temas abordados estão soberania alimentar, enfrentamento à fome, fortalecimento da agricultura familiar e agroecológica, proteção dos territórios e respostas à emergência climática. A carta é apresentada pela ANA como um documento aberto ao debate e à atualização permanente.
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Voto pela Convivência com o Semiárido
Nas Eleições 2026, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) apresenta a campanha Voto pela Convivência com o Semiárido, que relaciona a defesa e a ampliação das políticas públicas de convivência com o Semiárido ao debate eleitoral e ao compromisso das candidaturas com a população dos territórios.

A primeira ação da campanha foi o lançamento da Carta Política da ASA para as Eleições 2026, intitulada “Semiárido: defender a vida, fortalecer a democracia e construir o futuro”. O documento reúne o posicionamento das cerca de 3 mil organizações que integram a articulação, a partir de debates realizados nos territórios e nas ASAs estaduais.
A campanha será disseminada em municípios do Semiárido brasileiro por meio de materiais impressos, conteúdos em áudio e publicações nas redes sociais.
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Contra a Violência no Campo
A Campanha Contra a Violência no Campo: em defesa dos povos do campo, das águas e das florestas foi lançada nacionalmente em agosto de 2022. Construída por mais de 30 organizações sociais do campo, a iniciativa reúne a adesão de mais de 70 entidades da sociedade civil, movimentos populares e pastorais sociais.
A campanha denuncia as violências que atingem comunidades camponesas, povos e comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais, além de defender processos de proteção e solidariedade entre os territórios. Entre as situações apontadas estão ameaças, expulsões, grilagem de terras, destruição ambiental e criminalização de lideranças.
Os dados mais recentes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) ajudam a dimensionar esse cenário. Em 2025, foram registrados 1.593 conflitos no campo em todo o país, uma redução de 28% em relação às 2.207 ocorrências de 2024. Apesar da queda, o número ficou acima do registrado na maior parte dos últimos dez anos.
Entre os povos indígenas, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) registrou, em 2025, 210 casos de invasão, exploração ilegal de recursos naturais e danos ao patrimônio, atingindo pelo menos 151 Terras Indígenas em 20 estados. O relatório também registrou 1.024 mortes de crianças indígenas de até quatro anos; segundo dados divulgados com base no levantamento, 586 desses óbitos, ou 57%, foram classificados como decorrentes de causas evitáveis.
Em setembro de 2026, a campanha lançou uma Carta de Compromisso das Eleições 2026, com nove propostas para que candidatas e candidatos assumam compromissos relacionados ao enfrentamento da violência no campo e à defesa dos povos do campo, das águas e das florestas.
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Direitos da Natureza
A Articulação Brasileira pelos Direitos da Natureza, a Mãe Terra apresenta às candidaturas das Eleições 2026 uma Carta-Compromisso pelo reconhecimento e pela defesa dos Direitos da Natureza. A iniciativa propõe incorporar essa perspectiva às políticas públicas, considerando a proteção dos ecossistemas e a relação de interdependência entre seres humanos e Natureza.
Entre os compromissos estão a proteção de rios, nascentes, florestas e biomas; o enfrentamento dos impactos climáticos; a valorização da participação das comunidades na proteção dos territórios; e o apoio a iniciativas legislativas relacionadas aos Direitos da Natureza.
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Propostas do Observatório do Clima
O Observatório do Clima (OC) disponibiliza uma série de documentos de Propostas para a Política Ambiental Brasileira, que reúne recomendações para as Eleições 2026. Organizadas em cadernos temáticos, as propostas abordam diferentes áreas da agenda socioambiental e buscam contribuir para o debate público e para a formulação de políticas ambientais no próximo ciclo de governo.
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Farol Verde
Por fim, o Farol Verde, desenvolvido pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), é uma plataforma de consulta que permite acompanhar a atuação de deputados e senadores em votações relacionadas à agenda socioambiental, com indicadores de participação, convergência com a pauta ambiental e resultado geral.
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