Lideranças indígenas do estado de Mato Grosso se reúnem na Aldeia Quatro Cachoeiras, na Terra Indígena Utiariti, no município de Campo Novo do Parecis (MT), para a 8ª Assembleia Geral Eletiva que irá escolher a próxima diretoria da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT).
O encontro acontece entre os dias 25 e 30 de janeiro e também tem como objetivo debater estratégias para as eleições nacionais de 2026, além de discutir os rumos da política indígena para o próximo período. A abertura da assembleia contou com a presença de autoridades estaduais e nacionais, entre elas a presidente da Funai, Joênia Wapichana, e a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara.

A assembleia ocorre em um contexto de agravamento dos conflitos no campo em Mato Grosso. De acordo com dados do Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2024, divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), o estado registrou um aumento de 137,25% no número de ocorrências de conflitos rurais e de 518,27% no número de pessoas envolvidas em 2024, em comparação com o ano anterior. Mato Grosso também liderou a maioria das tipificações de violência relacionadas a conflitos por terra na região Centro-Oeste.
A Rede Cerrado acompanha o encontro ao lado da Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado (MOPIC), uma das organizações-membro da FEPOIMT, e da delegação Xavante.

Para Hiparidi Toptiro, coordenador da Rede Cerrado e da MOPIC, os povos do Cerrado têm papel fundamental na luta indígena em Mato Grosso e na construção da agenda ambiental do país como um todo.
Mato Grosso é um estado marcado pela forte presença indígena, com 43 povos originários que vivem em territórios distribuídos entre os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Essa diversidade sustenta uma ampla articulação política e organizativa em defesa dos direitos indígenas no estado.




