Lançamento do livro foi realizado em 31 de janeiro, no Inhotim (MG). Foto: Acervo pessoal.
Vice-coordenadora da Rede Cerrado, Lucely Pio assina um texto inédito no livro Jardins de Transição, publicação do Instituto Inhotim lançada em 31 de janeiro. A obra integra a coleção Jardins de Inhotim e reúne textos e imagens que exploram o diálogo entre paisagem, arte e meio ambiente.
Em seu artigo, a autora, quilombola e especialista em plantas medicinais do Cerrado, compartilha sua vivência no bioma e propõe uma reflexão sobre a urgência de sua conservação, a partir da experiência do Jardim de Transição, espaço de Inhotim que articula espécies do Cerrado e da Mata Atlântica.
A reflexão ganha densidade em um momento em que a corrida pelos minerais estratégicos recoloca o território no centro do interesse econômico. Apenas no sul de Minas Gerais, mais de 100 pedidos de pesquisa para exploração mineral foram protocolados junto à Agência Nacional de Mineração (ANM) entre 2023 e 2024.
Os impactos desse processo são sistêmicos: a expansão da atividade mineral ameaça o Cerrado e outros biomas, assim como os modos de vida que deles dependem.
É nesse cenário que Jardim de Transição se insere. Na publicação, Cerrado e Mata Atlântica são apresentados como territórios vivos, atravessados por disputas e saberes, que demandam escuta, cuidado e responsabilidade coletiva. Não são tratados como paisagem decorativa nem como mercadoria em potencial.

Lucely Pio dedica um dos capítulos do livro à relação entre território, cultura e conhecimento tradicional. Para ela, manter o Cerrado em pé é condição fundamental para a continuidade dos saberes e práticas transmitidos entre gerações.
“A gente precisa manter o Cerrado em pé, precisa cuidar do Cerrado para que a nossa cultura, o nosso saber e fazer continuem de geração para geração. (…) O Cerrado é diferente dos outros biomas porque, quando estamos caminhando, a cada dez palmos de distância encontramos uma planta medicinal. É por isso que o chamamos de farmácia viva. Mesmo quando ele queima, o Cerrado é forte: logo se regenera, as plantas brotam e ele volta a florescer. Esse é o diferencial do Cerrado.”
Com textos em português e inglês e uma série de fotografias, Jardim de Transição propõe uma imersão na mata de transição que conforma a paisagem de Inhotim. Ao longo das páginas, os biomas deixam de ser abstrações ou ativos econômicos: são apresentados como territórios sensíveis, feitos de cheiros, sabores, plantas, árvores e modos de vida.
A publicação integra o projeto Ser do Cerrado, realizado com apoio do Ministério Público de Minas Gerais, por meio da Plataforma Semente.
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