Em meio ao maior ataque os direitos indígenas nos últimos 30 anos, acampamento é a maior mobilização dos povos originários do Brasil; programação que vai até a próxima sexta-feira (27) prevê audiências públicas e atos no Memorial dos Povos Indígenas, onde estão acampados.

 

Teve início nessa segunda-feira (23), em Brasília (DF), a maior mobilização promovida pelos povos originários do Brasil. Com o tema “Unificar as lutas em defesa do Brasil Indígena – Pela garantia dos direitos originários dos nossos povos”, o Acampamento Terra Livre 2018 reúne três mil indígenas de mais de 100 povos vindos de todas as regiões do Brasil. A mobilização ocorre em um contexto visto pelo movimento indígena nacional como o maior ataque aos direitos indígenas desde a promulgação da Constituição de 1988. 

 

 

O Acampamento está inserido na semana de Mobilização Nacional Indígena, e acontece em um contexto de ampla ofensiva sobre os direitos dos povos originários e de aumento da violência nos territórios. Com foco no direito territorial, a principal reivindicação do acampamento é a retomada das demarcações das Terras Indígenas (TIs) e a revogação do Parecer 001/2017 da Advocacia-Geral da União (AGU), oficializado pelo presidente Michel Temer.

 

“Nunca como hoje, nos últimos 30 anos, o Estado brasileiro optou por uma relação completamente adversa aos direitos dos povos indígenas. O governo ilegítimo de Michel Temer assumiu uma política declaradamente anti-indígena pondo fim à demarcação e proteção das terras indígenas, acarretando a invasão dessas terras por empreendimentos governamentais e privados”, afirma a Convocatória da Mobilização Nacional. A bancada ruralista e o Judiciário também têm atuado duramente no sentido de vulnerabilizar os indígenas.

 

Para conferir a programação do Acampamento Terra Livre 2018, clique aqui

 

Mulheres indígenas abrem Acampamento Terra Livre 2018 

 

Mulheres indígenas lotaram a tenda principal no primeiro dia do Acampamento Terra Livre (ATL) 2018, na tarde desta segunda-feira (23). Lideranças de diversos povos falaram sobre a importância de sua participação na política, luta pela terra, saúde de qualidade e educação diferenciada. 

 

Lideranças das diferentes regiões do país deverão encaminhar propostas e reivindicações discutidas na plenária que deverão ser incluídas no documento final do ATL.

 

Confira a cobertura completa do primeiro dia do Acampamento Terra Livre 2018. Clique aqui.

 

As falas exigiram a demarcação imediata das Terras Indígenas e o fim do ataque aos direitos indígenas. Se os povos indígenas estão entre os mais vulneráveis sob governos que não acolhem às políticas públicas diferenciadas e de garantias constitucionais, é entre as mulheres que os efeitos do problema podem ser piores.

 

Carolina Rewaptu, cacique da aldeia Madzabzé, da Terra Indígena Marãiwatsédé (MT) – uma das mais desmatadas no Brasil -, frisou a importância das mulheres indígenas ocuparem os espaços de decisão política: “A gente tem que falar na presença dos políticos. Eles querem acabar com a nossa cultura, as nossas religiões, as nossas histórias. A gente tem que falar na presença deles”. É a primeira vez que a cacique vem ao ATL e prometeu levar as discussões para os parentes que ficaram na aldeia.

 

Muitas mulheres fizeram coro à fala de Carolina Rewaptu. Tal desejo se encarna no atual calendário eleitoral em Sônia Guajajara, pré-candidata à co-presidência pelo PSOL, ao lado de Guilherme Boulos, que frisou:

 

 

“Não viemos aqui porque gostamos de ficar dois dias no ônibus, deixando nossos filhos. Ou porque gostamos de tomar chuva e ficar acampados. Viemos para ocupar os espaços. Quem mais sofre com os empreendimentos, com esse modelo econômico predador, somos nós mulheres indígenas. Precisamos estar nos espaços que tomam as decisões”, apontou.

 

Fonte: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e Mobilização Nacional Indígena

 

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